THE FASHION T'S

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Compre o seu bilhete para o Vão

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Linha amarela. Foto autoral.

Metrôs e trens. Todo mundo que conhece ou é um paulistano já ouviu ou contou uma história vivida em um desses meios de transportes. Normalmente são histórias que envolvem o narrador diretamente. Mas e se alguém parasse para olhar para os lados e começasse a fotografar e a contar o que acontece ao redor dos trilhos?

Alguém parou para olhar isso e a fazê-lo. Alguém não. Alguéns. Três estudantes de Letras da PUC de São Paulo tiveram a ideia de fazer um projeto incrível com fotos e narrativas sobre as histórias que elas encontram pelos trens e metrôs que pegam todos os dias. Camilla Wootton Villela, Caroline Alls e Cynthia Navarro, apesar de estarem envolvidas com seus TCCs (ou, como disse Camilla, “estão enroladas, mas uma hora se formam”), resolveram observar mais atentamente o que se passa a seus redores e formaram o Projeto Vão.

E – perdoem-me pelo trocadilho –, em meio a um vão no tempo livre das três, elas concederam uma entrevista ao The Fashion T’s para explicar melhor o Projeto e contar as peculiaridades do Vão. Entre nesta estação e pegue o trem da entrevista:

O que é o Projeto Vão?

O nome Projeto Vão vem, além da referência clara ao “vão entre o trem e a plataforma”, do verbo “ir”, pois percebemos que todas as nossas personagens sempre estão indo para algum lugar, ainda que esse lugar seja o vazio, o não lugar… o vão. Escolhemos esse nome também porque o vão é marginalizado na sociedade, é o lugar onde ninguém deseja ir, mas, ao mesmo tempo, todos ficam curiosos em saber o que existe por lá. Há uma identificação muito grande do ser humano com essa figura misteriosa do vão.

Como surgiu a ideia de fazê-lo?

O Projeto Vão nasceu de inquietudes nossas em se querer fazer alguma intervenção a partir de fatos do cotidiano vivido dentro dos trens de São Paulo. Somos três paulistanas que pegam trem e metrô todo santo dia e achamos que as histórias que passam por nós a cada estação poderiam servir para algo além de um fato que passasse despercebido. Além disso, cada uma de nós pega trem e metrô em horários e linhas diferentes, o que diversifica o público com o qual convivemos no nosso dia a dia, e acreditamos passar por inúmeras experiências inusitadas, singulares entre si. O objetivo era parar para enxergar a vida que acontece nesse cenário pelo qual passamos “reto” todos os dias. Por isso, criamos o Projeto.

Como são tiradas as fotos? 

 As fotos são todas tiradas de celular, justamente pela mobilidade e pela facilidade de se registrar algo momentâneo, urgente. Cada registro é a captação de uma reação que não se repete. Temos sim a preocupação em preservar a imagem das pessoas que fazem parte da composição, por isso, algumas vezes, optamos por pegar pessoas de costas ou de utilizar efeitos que desfoquem o rosto de alguém, por exemplo.

Qual é o público-alvo que vocês pretendem atingir?

Nosso público alvo não é muito bem estabelecido. Estamos abertas a recebermos pessoas de todas as idades e classes sociais dispostas a se envolverem com nossas artes e intervenções. É claro que no geral, notamos que o público predominante é de São Paulo, já que nosso pano de fundo principal é essa cidade, mas também temos recebido retorno de outros lugares. E pelo fato de que muitos paulistanos utilizam o transporte público, há uma identificação grande com o tema. Todos nós temos alguma história de metrô para contar.

Como são pensados os textos?

Muitos dos textos são narrativas curtas, flashes. Desde o começo, pensamos em algo para que as pessoas também lessem no metrô, então deveria ser algo breve, que durasse o tempo de viagem entre uma estação e outra, por exemplo. Consideramos que isso faria mais sentido, já que nossas personagens são apenas recortes de milhões de histórias que se passam dentro de um trem. Esses flashes, muitas vezes, já estão começados ou nem mesmo temos conhecimento de como terminam. Ou seja, eles dialogam com a criatividade do leitor, que imagina como tais narrativas começaram ou tece algumas hipóteses de como elas poderiam ter terminado. Isso é o que mais nos agrada.

Como vocês se sentem no metrô? Como acham que as pessoas se sentem?

Todos nós experienciamos coisas diferentes nos trens e metrôs. Cada um tem uma história tensa ou engraçada para contar em uma roda de amigos. Mas, obviamente, notamos alguns acontecimentos que geralmente ocorrem, como a hora do rush. Possivelmente, nenhum usuário se sente confortável em um vagão lotado, com gente até o teto. E acreditamos ser uma das primeiras imagens que aparecem no pensamento de uma pessoa, quando falamos sobre “transporte público”.  Mas, no geral, esse cenário se tornou, acima de tudo, um ambiente de trabalho para todas nós, e ficamos sempre atentas para qualquer novidade. Logo, nos sentimos desafiadas naquele lugar.

Para nunca perder a hora de novos embarques e desembarques no Projeto, curta a página no Facebook e fique de olho nas baldeações e nas esperas nas plataformas. Preste atenção no Vão!

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Author: Mayara Abreu Mendes

Azarada, confusa, perdida, exagerada, reclamona, maluca, tagarela, blogueira, procrastinadora, espírito de gorda, unespiana, futura jornalista.

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