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Plus Size – Moda democrática?

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Antes de começar o que eu vim postar aqui, preciso me apresentar de verdade. Sou a Tainá Goulart e emagreci 33 quilos dos 13 pros 14 anos. Desde que eu me conheço por gente, sempre fiz dieta e corri em busca de um corpo ideal, o qual eu sempre via e vejo nas revistas. Hoje, no alto dos meus 22 anos, peso 90 quilos e tenho 1,83 de altura. O meu IMC, o Índice de Massa Corporal, é 25, ou seja, sou sobrepeso, que são alguns quilos e outras “cositas mais”

Eu aos 12/13

Eu aos 12/13 e agora

Pensando em moda, na minha época “gorda”, sempre vestia coisas grandes, pois tinha vergonha de mostrar os meus pneus. Hoje, ainda não gosto de nada colado, mas tento adaptar meu estilo ao que posso comprar e vestir. Está aí o centro da minha discussão de hoje. A tal da moda Plus Size. Recentemente lançada, essa linha “especial pra você” é, ao mesmo tempo, uma grande mudança e um caminho errado. Vejo como um avanço o pensamento das grandes lojas de departamento (e não dos estilistas ou das marcas) de se preocupar com as mulheres comuns. Comuns no sentindo de que qualquer ser humano, do sexo feminino, de verdade, tem gordura localizada, nádegas, seios, flacidez, culote e por aí vai. Várias coleções “especiais” estão disponibilizadas, geralmente, num canto afastado da loja, lá no escuro, com uma grande placa, escrita “do 48 ao 82938773930”. Esse é o meu ponto contra essa nova moda.

Eu, o demônio adolescente!

Eu, o demônio adolescente!

Sempre que folheio uma revista de moda, eu quero vestir o que as modelos vestem. Não é esse o papel delas? Modelos? Eu me inspiro nas roupas que eu vejo nelas para poder me vestir. Por que, então, que eu preciso de uma coleção para mim? Ser especial? Não! Eu quero aquela mesma blusa que a menina de cintura fina  está usando. Plus size não é ser, como um amigo meu dizia, enorme de gorda. Sei lá, acho que eu sou plus size, pesando 90, minha mãe é, que pesa 87, você, com quadril brasileiro, sua prima tábua, a Sabrina Sato malhada. Plus size não deveria existir. A moda deveria ser normal e é isso o que a gente busca. Eu quero entrar numa loja e poder achar aquela calça flare, ou aquela saia mullet do 22 ao 85, naquela arara que fica na frente, bem na cara dos transeuntes!

Eu, atualmente!

Eu, atualmente!

Muitos podem dizer que o plus size é uma democratização da moda, que todas podem ter “direito” de se sentir bem. Oi? Como assim? Democratizar seria deixar tudo no mesmo lugar, na mesma sessão e não fazer alarde pra mostrar que aquilo é especial pra mim, que sou sobrepeso, saudável ou obesa. Parece recalque, mas não é.

Aqui no Brasil, a tal moda plus size é muito mal feita. Lá fora, em NY (que tive a oportunidade de visitar), tem muita loja de departamento que disponibiliza um andar inteiro ou uma sessão enoooooorme para os tamanhos maiores. Porém, são as mesmas peças que a gente vê, só que em vários tamanhos. Eu e minhas amigas mais magras compramos um monte de roupa igual. Isso não é lindo e democrático? Acorda, terra tupiniquim.

Antes que brandem aos quatro ventos que sou uma gorda, que não quer ser saudável, uma ressalva. Sou muito a favor do exercício físico, da saúde em dia e tudo mais. Porém, não de deixar de ser feliz por isso. Eu, por exemplo, tenho ossos grandes e mesmo emagrecendo 33 quilos (93- 60 kg),  não fiquei com corpo de modelo manequim. Nunca vou ter e aceitei isso numa boa. Hoje, quero ser saudável e se isso implica em perder alguns quilos, por que não?

Como vocês podem notar, na evolução das fotos, eu consegui emagrecer bastante, mas não sou magra. Visto 46/48 e tenho um quadril brasileiro, que me “impede” de comprar em certas lojas. Um vez entrei na M. Officer, pra procurar calça, e a mulher disse que eles não trabalhavam com numeração alta !?  Foi um choque, era nova e não tinha a consciência dessa falta de atenção para o ponto democrático da moda. Fico pensando como as pessoas gordas de Hollywood fazem para ir às festividades mais chiques. Zac Posen desenhou um vestido lindo para a Lena Dunham, do seriado Girls, para o Globo de Ouro. Ela estava linda, mas parecia desconfortável naquela peça. Por que será?

Voltando pro foco deste post, a modelo Fluvia Lacerda, top model plus size, disse em uma entrevista para o blog Entre Topetes e Vinis que faltam peças de qualidade, com pegada diferenciada, fashion, para um corpo maior. É disso que eu estou falando. Sem contar o fato de que o consumo de produtos seria BEM maior. Democracia e lucros, manolo!

Falando no Entre Topetes e Vinis, tive a oportunidade de conversar com a Juliana Romano, autora do blog. Gostei muito da opinião dela, pois achava que pouca gente compartilhava da minha opinião. Veja a entrevista abaixo:

THE FASHION T’S – Você acha que o segmneto plus size é democrático?

JULIANA ROMANO – Não e acho que qualquer coisa que tenha a palavra segmento antes não seja democrático. O que eu sinto é que estamos em uma fase de transição, saímos de um cenário onde a gorda era excluida, estamos caminhando para chamar atenção para o fato de que gorda também é gente e um dia chegaremos no estágio em que eu não precisarei mais falar de moda para gorda ou para magra, só precisarei falar de moda. Mas é claro que toda mudança grande e efetiva demora.

TFT – Você se assume plus size? Se sim, por quê?

JR – Olha, eu evito rótulos. As pessoas me chamam de Plus Size, meu blog foi rotulado como Plus e eu não ligo na verdade. Mas eu acho que a gente não tem que sair de um padrão para se encaixar em outro. Aliás, não tem coisa que me deixa mais nervosa do que a discussão do fato de eu ser muito magra para ser plus, porém muito gorda para ser normal. Gosto de pensar que eu não vivo a minha vida para me encaixar e sim que as coisas têm que caber na minha vida.

TFT – Existe algum episódio que você se orgulha de ser plus size?

JR – Todo dia eu me olho no espelho e me orgulho do que vejo, mas isso não tem nada a ver com ser ou não gorda. Ser gorda ou magra nunca fez diferença para mim porque eu nunca deixei as pessoas se aproveitarem disso para me desmerecer ou desprezar.

TFT –  Como você vê a aceitação (ou não) do plus size pelo mundo da moda e pelo público em geral?

JR –  Acho natural que, em um país onde mais de 50% da população esteja acima do peso ideal, a indústria comece a olhar para a grana que ela está perdendo deixando de fazer roupa para essas pessoas. Para quem não tem interesse financeiro nisso, acho que é uma questão de costume e hábito. Essa geração nasceu na magreza, ser gorda é quase um crime, mas a partir do momento que a mídia e a industria da moda começarem a tratar isso de forma normal, as pessoas vão fazer isso também.

TFT – O que você acha que deveria mudar para melhorar a situação atual do segmento?

JR – Falta bolas para os donos das lojas, essa é a real. Os lojistas e estilistas são tão preconceituosos que não conseguem imaginar que a gorda não precisa ser tratada diferente. Que ela não quer uma roupa gigante, ela só quer uma coisa bacana. Eles não entendem porque não pesquisam, porque fecham os olhos para a questão. Eles tentam tapar o sol com a peneira. Acho que falta analisar a garota acima do peso não só como uma consumidora em potencial, mas como uma mulher em potencial. Com os mesmo desejos e necessidades de qualquer outra. Sem diferenciação e sem esse medo todo.

Calça-com-estampa-de-cruz-legging-estampada

Juliana Romano

E ai, gostaram? Quem compartilha comigo e quem descorda? Quero muito saber! Não se acanhem nos comentários!

Beijos,

Tainá Goulart

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Author: Tainá Goulart

Sinapses

11 thoughts on “Plus Size – Moda democrática?

  1. Olá, Tainá. Compartilho totalmente da sua opinião. Sempre me senti mega frustrada por não encontrar roupas do meu tamanho e quando encontrava eram roupas de tia velha, tecidos e estampas horríveis e decote então, era coisa rara. Muitas vezes, eu comprava alguma coisa bonitinha em linha de gestante, que era uma moda mais jovem em tamanhos um pouco maiores e com porta-panceps. (patético, eu sei)
    De uns anos para cá, surgiram algumas marcas que fazem coisas bonitas, seguem tendencias da moda, tem uma qualidade razoável, mas são absurdamente caras.
    Democracia para quem tem la plata, né? Senta lá, Claudia.
    Eu fiz gastroplastia e perdi quase 50 kg e a minha maior alegria foi poder comprar roupa meia boca em loja de departamento, foi poder comprar aquele mesmo vestidinho fast fashion de 30 contos que a minha amiga que veste 36, simplesmente pq entrei no que eu chamo “faixa de corte” que delimita normal e ~plus~. E vou te dizer, mesmo assim é coisa rara, pq eu estou usando 46, logo, dependendo da loja que você entra, não tem.
    Eu sonho com o dia em que teremos qualquer peça em qualquer tamanho.
    Quantas vezes você precisou abrir mão de uma camisa linda por faltar míseros dois dedinhos para fechar o ultimo botão? Quero poder ser igual a todo mundo se eu quiser e diferente apenas seu eu quiser.
    Espero que isto seja progressão natural das coisas, como foi bem dito pela Juliana.
    Parabens pelo otimo texto.

  2. OI Tainá Goulart adorei seu depoimento pessoal e a matéria. Quando comecei a ler fui levando a coisa para um lado negativo, mas ao terminar percebi o contrário. Entrando no contexto plus size. Como você mesma disse aqui nos Estados Unidos, as pessoas acima do peso conseguem se vestir bem, vestem o que está na moda e o caimento é impecável; é a ai que está a chave da questão. O problema não é ser plus size, o problema é outro; Acho que o Brasil tem sim que acordar para esse mercado, porém acho que tem que se haver uma revolução na modelagem, ou seja, os tamanhos se padronizarem de uma maneira real e ai sim criar uma peça em cima disso, que é o que os americanos fazem. Minha sogra vem pra cá e refaz o guarda roupa dela sempre, com roupas super elegantes que tem um caimento impecável e ela mesma diz que não vai conseguir emagrecer mais e que ela tem que lidar com o corpo que tem, cuidar da saúde e ser feliz. Ser feliz com o que você é de verdade, sem comparações, aceitando-se. Claro que com muito charme e elegância. Beijokas, adoro você e seu estilo

  3. Parabéns, Tainá!!
    Eu como Plus Size, sinto um alívio em saber que existem pessoas querendo mudar o quadro da moda e tentando democratizá-la…mesmo que isso seja a longo prazo. As roupas devem acompanhar seu corpo, seu estilo de vida, mas principalmente a sua personalidade. Atualmente sinto raiva de querer vestir minha personalidade e a moda insistir em deixá-la nua ou mal vestida!

  4. Eu acho que todo mundo gosta de usar roupas que lhe façam parecer bem, lhe façam se sentir bem, e se para quem tem um estrutura corporal maior é necessário um corte diferente do tecido/ da peça, uma modelagem diferente da média para que isso aconteça, n vejo mal ter uma área separada. Acho que o problema em si estaria na não aceitação do próprio corpo pela pessoa, a qual fica com vergonha de ter que comprar em um área separada, e que é vista com maus olhos pelas regras de beleza determinadas pela sociedade. Acho que seria até bem legal uma área especializada para plus size, com modelos que deixem qualquer “gordinha” elegante, bonita, sensual, e assim elas não precisam ficar sofrendo caçando loja por loja peças plus size. x)

    • Ma, você sabe que eu adoro você, mas vou ter que discordar em algumas partes. Eu acho que essa história de separação é o que mais me deixa brava, pois todas somos iguais. Muitos lojistas separam as sessões pensando que talvez seja a melhor forma de fazer com que as “plus size” fiquem mais feliz. Acho que é um primeiro passo pra evolução, mas não é a evolução em si. Penso que tenho o mesmo “direito” (acho estranho isso) de ir na mesma sessão de calça skinny e achar do 36 ao 58! Entende?

      Mas, como disse, quero opiniões e acho que a sua foi muito válida!

      Obrigada delícia!

  5. Achei o máximo o que você escreveu Tainá! Acho muito legal a sua iniciativa! E vale lembrar que esse “preconceito” rola para tudo que não é padronizado pela mídia. Todas nós somos seres humanos que não são perfeitos, como você disse! Eu, você, a joana, a fulana e a siclana temos nossos “defeitos”(o que eu não acho que seja defeito), e que não nos faz menos bonitas, apenas não é algo que faz parte do que ditaram que era padrão, e ainda faz as pessoas ficarem complexadas! Eu fui muito complexada na minha infância/adolescência por ter nariz de “coxinha”, e como era muito magra, as perninhas arcadas. Enfim, chega dessa padronização de beleza! TODAS NÓS SOMOS BELAS COM NOSSAS DIFERENÇAS! E merecemos claro poder comprar roupas e outras coisas que gostamos. =)

    • Concordo com você! Todas nós e todos nós somos lindos e belos do jeito que somos! Eu não consigo entender o porquê de continuar acreditando do modelo de idealização. Por quê nós mesmas não somos nossos próprios modelos de idealização?

      Fica a reflexão!

      Abraços e volte sempre!

  6. Oi Tainá! Adorei o artigo. Como sempre, muito bem escrito e com um bom ponto de vista.
    Eu sou muitooo magra e tenho dificuldades pra encontrar roupas também, principalmente calça jeans – se serve no tamanho, o comprimento não fica bom e vice versa…ou o caimento fica péssimo. Sei que é uma falsa simetria, mas só fiz o paralelo pra dizer que entendo como é ruim não conseguir vestir algo que gostou e eu imagino que seja muito pior pras mulheres que vestem o ‘plus size’.
    Sobre o assunto, eu digo que concordo plenamente com a Juliana. Existe, sim, uma discriminação entre as numerações e ela evidencia que há preconceito com as fora do padrão, principalmente as gordinhas. É ridículo! Principalmente se se considerar que o peso médio da população mundial aumentou no último século, assim como a altura, por exemplo. Mas, acredito que com o advento do plus size, mesmo que de forma errada, é uma luz no fim do túnel pra que esse preconceito acabe. Acho que é o meio termo pra que um dia não precise discriminar os dois e todos os tamanhos encontrem seu lugarzinho no pau de arara. TOMARA!

    p.s.: te acho LINDA e suas roupas são ótimas, vc sempre se vestiu muito bem e eu acho seu estilo o máximo! e eu ameeei a roupa da Juliana, ela também é linda…queria saber onde ela comprou esse coturno :D

    Beijooos.

    • Camila, obrigada pelo comentário e pelo elogio! Achei muito legal você dizer que, mesmo magra, você também tem problemas para achar roupas. São os dois lados da moeda! Vou perguntar pra Juliana sobre o coturno!

      Abraços e obrigada!

  7. Tainá, ótimo texto, parabéns!
    Compartilho da mesmissíma opinião que você. Essa história de “plus size” no Brasil ainda precisa melhorar, e muito. O conceito é todo errado e muitos ainda olham com preconceito e desconfiança para este “segmento”. Parabéns pela coragem de dar um depoimento pessoal (com fotos!!!) e pelo texto, quem sabe se mais pessoas se sentirem motivadas a fazer o mesmo, a gente começa a mudar a moda brasileira.

    • Gabi, obrigada pelo post!

      Mudar a moda brasileira, essa é a minha maior vontade. Tô cansada de tudo e resolvi falar. Tô vendo muitas respostas positivas, desde pessoas gordas, magras, homens.. tutimundo! Quero tentar fazer mais barulho, pra ver se dá alguma mudada!

      Beijos!

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